Frio intenso, chuva volumosa e El Niño fortalecido: veja como vai ser o tempo em setembro no RS
Um dos períodos mais instáveis historicamente no Rio Grande do Sul, o mês de setembro promete chuva e frio acima do comum. A previsão aponta que o Estado vai superar sua média de acumulados, o que chama a atenção de especialistas para os níveis dos rios e o fortalecimento do El Niño. De acordo com a Climatempo, os maiores acumulados serão observados na Serra e no Norte. Em Caxias do Sul e em Passo Fundo, os montantes devem exceder 163,1 mm e 165,5 mm, respectivamente. Os números correspondem às médias observadas entre 1991 e 2020 pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Porto Alegre deve ultrapassar 147,8 mm durante o período. Em contrapartida, regiões como Litoral Sul, Campanha, Costa Doce e Sudoeste devem registrar volumes menores do que o habitual. A temperatura deve se manter um pouco abaixo do normal em todo o Estado. Bruno Zanetti, meteorologista que trabalha junto à Defesa Civil do RS, diz que o primeiro fim de semana de setembro virá acompanhado de um forte resfriamento. Só na primeira quinzena do mês, o território gaúcho aguarda três frentes frias: — Como vai estar mais nublado e com chuva o dia todo, as temperaturas acabam não subindo muito. Por isso, a gente vai ter temperaturas mais baixas do que o normal por causa desse maior número de dias com bastante nuvens e precipitação. Não estão descartados novos episódios para condições severas. Há a possibilidade de chuvas intensas, rajadas de vento, queda de granizo e descargas elétricas em curtos espaços de tempo. O cenário demanda atenção e acompanhamento contínuo. Conforme explica Rodrigo Paiva, professor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS, os prognósticos indicam risco aumentado para os meses de setembro, outubro e novembro. Neste ano, estamos tendo El Niño, o que traz mais chuvas para a região sul do Brasil. Isso aumenta o risco de cheias nos rios gaúchos. RODRIGO PAIVA Professor do IPH da UFRGS O especialista ainda aponta que, em razão das chuvas recentes, algumas bacias estão saturadas e consequentemente mais sensíveis. No entanto, a primeira semana do mês promete tempo estável, atenuando as preocupações mais imediatas. — Existe uma preocupação sobre como vai ser a evolução (do El Niño) não só em setembro, mas nos próximos meses. Vai ser necessário bastante atenção e acompanhamento, porque as projeções apontam para chuvas volumosas e maior risco de inundações — afirma. El Niño se fortalece O El Niño ocorre quando um superaquecimento das águas do Pacífico — próximo à costa da América do Sul — impacta a atmosfera global de diversas formas. No Rio Grande do Sul, ele costuma favorecer um maior volume de chuvas. Professora e pesquisadora do Centro Polar e Climático da UFRGS, Venisse Schossler afirma que o fenômeno esperado para 2026 terá grande força. Ela atribui essa intensidade ao aquecimento global, que é responsável pela elevação contínua da temperatura dos mares: — Como o oceano já está anômalo antes do El Niño começar, as temperaturas devem destoar ainda mais, fortalecendo o fenômeno. Segundo a pesquisadora, a expectativa é de que ele atinja o seu ápice entre setembro e novembro. Temos confirmação de que será um El Niño muito forte. Ele deve durar até março pelo menos. VENISSE SCHOSSLER Pesquisadora do Centro Polar e Climático da UFRGS Informação e precaução Ainda não é possível estimar com precisão os impactos da chuva. Mesmo assim, os especialistas reforçam a necessidade de acompanhar as informações em tempo real e se manter por dentro dos procedimentos de segurança corretos. O meteorologista Bruno Zanetti recomenda que as pessoas se mantenham atualizadas sobre as condições do tempo e procurem a Defesa Civil quando necessário. Conhecer os planos de contingência e ter um planejamento adequado é crucial: — É importante que a população fique atenta ao que está sendo comunicado pelos órgãos oficias e tome as devidas providências. Fonte: GZH Mais notícias sobre CLIMA
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